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Post Punk novamente

De acordo com o crítico Simon Reynolds o jornalismo musical dos EUA considera dois momentos divisores de água na musica pop. Um foi o lançamento do álbum Never Mind The Bollocks dos Sex Pistols em 1977 e o outro foi o Nevermind do Nirvana em 1991. Reynolds acrescenta que entre os dois álbuns ‘nevermind’ o jornalismo musical estadunidense se comportava como se nada relevante tivesse acontecido além de Prince e Bruce Springsteen.

Em dezembro de 1994 Chris Cornell declara na revista Rolling Stone que em Seattle havia uma cena recheada de bandas com tendências góticas, mas que foram “deixadas de fora”.


A MTV brasileira, por volta de 1991-92 não tinha na programação mais nada que lembrasse o recente passado post-punk que recheava sua grade. A partir do ano 2000 essa cena esquecida começaria a dar novos frutos não apenas em novas bandas que haviam retomado o estilo (Artic Monkeys, Strokes), mas também na literatura de biografias.

Um livro sobre a cena não existia até que em 2005 Reynolds lança ‘Rip It Up and Start Again’. Reynolds pontua que o post-punk é afiliado ao funk, ao jazz, ao soul e reggae - rítmos negros dos EUA/Jamaica - em oposição ao 1, 2, 3, 4 duro e reto de bandas punk brancas. Mesmo no Brasil as bandas post-punk daqui não deixaram de experimentar com bossa-nova e rítmos afro-caribenhos. Outros autores resolveram escrever seus livros sobre post-punk e cenas sem nome que poderiam ter sido apagadas da memória pop.

Na cola do novo interesse pós-2000 a indústria relançou seus catálogos e apostou em novos artistas utilisando-se de novas nomenclaturas: electro, minimal-synth, coldwave, darkwave etc., mas que traduzem simplesmente pelo velho e bom post-punk. Atualmente no Brasil há algumas dezenas de bandas super criativas que estão há um bom tempo ensaiando, gravando e fazendo shows regularmente, músicos tem escrito seus próprios livros. Uma rede de aficcionados coleciona merchandising antigo e atual que inclui CDs, discos de vinil, fitas K7, DVDs, fanzines e livros.

Todo e qualquer material lançado tem publicidade garantida através de grupos hospedados nas redes sociais. O Sebo Clepsidra (loja e editora) na cidade de São Paulo tem sido o catalisador dessa turma espalhada pelo Brasil e é um dos canais mais procurados por quem deseja informação sobre post-punk.

Então o que é post-punk afinal? É uma subcultura, viva e ativa no planeta Terra nos dias de hoje.



Jadson Jr. é professor de língua inglesa, tradutor, fotógrafo e autor do livro Das Cores Ao Século XXI sobre a cena post-punk de Goiânia nos anos 1980. Também tem um canal no youtube sobre literatura, música e cinema: https://www.youtube.com/channel/UCbSCzjzlN3hfDIImZZjLjBQ

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